Sobre o EIV

Nascido das experiências acumuladas pela Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil (FEAB) na década de 1980, o Estágio de Vivência (EV) tornou-se um espaço consolidado em inúmeras universidades do país e vem contribuindo de maneira significativa na formação de profissionais voltados para a difícil realidade social brasileira.

Esse estágio proporciona aos estudantes universitários contato direto com as comunidades de assentamentos e agricultores familiares organizados, vivenciando na prática seus problemas, suas formas de organização e os desafios por eles enfrentados.

O primeiro Estágio de Vivência foi realizado em 1987 por estudantes de Agronomia de Dourados-MT com nome de “Universidade pés no chão” e reuniu estudantes da região Centro-Oeste do Brasil. A segunda edição envolveu estudantes de Agronomia de 12 universidades brasileiras e ocorreu em assentamentos rurais do estado de Santa Catarina. A experiência ainda era localizada e se originava de grupos de estudantes que possuíam alguma relação com o recém criado MST.

Nos anos seguintes, compreendeu-se na FEAB a necessidade de expansão do estágio pelo Brasil e entre os anos de 1991 a 1996 a experiência se espalhou para todo o Brasil, com a aproximação de estudantes de novos cursos, incorporando-se o princípio da interdisciplinariedade.

Essas experiências promovidas pelos estudantes foram tão significativas para a época que a UNESCO premiou a FEAB em 1992 por ser considerada uma iniciativa de destaque da juventude latino-americana.

Até hoje os Estágio Interdisciplinares de Vivência (EIV) promovem o envolvimento das universidades com as suas regiões de abrangência e rompem com o academicismo desprovido de práxis social.

Com uma metodologia bastante distinta dos projetos formais de extensão desenvolvidos nas Universidades, o estágio se caracteriza por se fundamentar em alguns princípios básicos, dentre eles a interdisciplinaridade, onde se procura incentivar a participação de diversos cursos para que se possa abranger a realidade sob diversos enfoques, de acordo com as respectivas áreas do conhecimento. Outra característica importante é a forma interativa dos espaços reservados à discussão, principalmente nas fases de preparação e avaliação, privilegiando o debate como forma de construção do conhecimento, refletindo conjuntamente sobre as diferentes realidades vivenciadas durante o Estágio.

Busca-se ainda mostrar a relação social do modelo de desenvolvimento imposto à sociedade brasileira em relação à realidade vivida pelos trabalhadores, através de cursos de Formação Política envolvendo Economia e o Modelo Agrário, embasado em profundos estudos teórico-práticos dessa realidade.

Como o EIV funciona?

Os estagiários selecionados irão se reunir em Santa Maria para seguir para o local onde será realizada a etapa de preparação.

O estágio é dividido em 3 etapas: preparação, vivência e socialização/avaliação.

No período de preparação, que possui 05 dias, os estudantes estudarão conteúdos relativos à questão agrária e se prepararão para o período de vivência, com metodologias e dinâmicas que permitem a construção coletiva do conhecimento.

Após este período os estudantes passarão pelo período de vivência, onde se deslocarão para por diversos assentamentos de reforma agrária no estado do Rio Grande do Sul. Os estagiários serão consultados previamente quanto às preferências para sua vivência durante o período de preparação, tentando-se contemplar as expectativas. Neste período, os estudantes terão contato direto com a realidade de cada assentamento e compartilharão suas as experiências diárias de família assentada que os receber. Os assentamentos serão principalmente de famílias organizadas no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Esse período tem duração de 08 a 10 dias.

Para o período de socialização das experiências e avaliação, estudantes se encontrarão novamente no mesmo local da semana de estudos e compartilharão suas mais diversas experiências. A troca de experiências e conhecimentos faz deste um momento muito rico durante o EIV. Esse período tem duração média de 04 dias.

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One thought on “Sobre o EIV

  1. Lembrar que tive o privilégio de organizar o primeiro EIV em Dourados – MS, nos anos de 1987-88, quando era presidente do Centro Acadêmico de Agronomia de Dourados – CAAD e depois como membro da Coordenação da Regional IV da FEAB, com a decisiva participação do companheiro Adalberto (Pardal), hoje no MST.

    Passado mais de vinte anos e ver que o trabalho continua, não tem preço.

    Parabéns pelo trabalho !!

    Prof. Dr. Hélvio Rech
    Unipampa – Bagé
    ,

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